Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Não te resignes!

"Sonho de Marx renasce"

Por Janer Cristaldo, Mídia Sem Máscara, 08.08.2005


O que afundará a Europa será a lei do baixo ventre, a natalidade como arma.

No século XIX, um fantasma rondava a Europa. Era um fantasma etéreo, teórico e vago, e de início só denotava o ódio de um alemão ao conceito de Europa. Ocorre que o fantasma, brandindo o cetro das utopias, catalizou os ressentidos do mundo todo e tomou corpo, dominando um terço do planeta. Como geralmente ocorre com fantasmas, está sumindo do imaginário das gentes. Não sem antes fazer cem milhões de mortos. Fantasmas, ainda que feitos de pura névoa, podem ser letais.

Milhões de fantasmas rondam a Europa do século XXI. Não são mais aqueles fantasmas antigos, ectoplasmáticos, sem consistência física. Mas fantasmas de carne e osso, mais osso do que carne. Estão cercando o velho continente por todos os lados, não se importam em morrer na tentativa de aportar em suas praias, e se multiplicam como cogumelos após a chuva. São os pobres diabos da África, Índia, China, América Latina, massacrados pela fome, pela miséria, salários infames, por guerras tribais, genocídios e ditaduras, impelidos pelo humano desejo de encontrar um lugar ao sol. São seres diferenciados de seus compariotas. Têm a coragem de largar tudo, família, filhos, eventuais posses e arriscam a vida em barcaças caindo aos pedaços, containeres sem ventilação, tentando atravessar rios, mares e desertos.

Não poucos morrem. Entre os que não morrem, boa parte vai para cárceres temporários para depois serem deportados. Uma minoria privilegiada encontra alguma fórmula de permanecer no país desejado e depois de muitas peripécias, encontram – ou não encontram – seu lugar ao sol.

Por muitas décadas, foi conveniente aos europeus receber estes “deserdados da terra”, para usarmos uma expressão tão cara às esquerdas. Todas as nações exigem milhares de trabalhadores braçais, e quem pode dar-se ao luxo de um trabalho intelectual é que não vai aceitar o braçal. Países como Suécia, Inglaterra, Alemanha, França estimularam efusivamente a vinda de mão-de-obra do Terceiro Mundo. Era barata e não muito exigente. Os migrantes buscavam uma só coisa: trabalho. Uma relação simbiótica se estabelecia então entre o Ocidente desenvolvido e o Terceiro Mundo faminto. Os ocidentais pagavam barato pela execução de trabalhos que lhes repugnava executar e os famintos recebiam salários de sonho, se comparados aos vinténs – ou aos nenhuns vinténs – que recebiam em seus países de origem. E os governos ocidentais cuidavam de controlar o fluxo migratório, para não provocar desequilíbrio no mercado de trabalho.

Assim foi, pelo menos até meados do século passado. Ao mesmo tempo em que a miséria decorrente do descontrole da natalidade se expandia no Terceiro Mundo, notícias das maravilhas do Ocidente inundavam o universo dos famintos. Não víamos, nos anos 60 ou 70, manchetes sobre migrantes morrendo em pateras no Estreito de Gibraltar nem naufragando em barcaças caindo aos pedaços no Mediterrâneo, nem morrendo sufocados em furgões tentando entrar na Europa. Hoje, é manchete quase todo mês. Uma imprensa que foi dominada pelos marxistas o século todo, criou uma singular mentalidade, a de que todos os “damnés de la terre” – como disse Frantz Fanon – têm direito à Europa ou aos Estados Unidos. E que europeus e americanos têm o sagrado dever de dar casa, roupa, comida, salário, educação, saúde e bom futuro a essa multidão de infelizes, cujos governos, em geral corruptos e ditatoriais, se negam a dar. Curioso observar que, para o mundo socialista – que se jactava de ser solidário com todos os povos do mundo – para lá ninguém queria migrar.

Criou-se então um novo tipo de migrante. Se o migrante dos anos 60 ou 70 vinha em busca de trabalho, o atual migrante chega exigindo seus direitos. Mais ainda: exige o direito de ficar no país escolhido sem cumprir as mínimas exigências legais para nele ficar. Surgiu um novo tipo de personagem na imprensa internacional, os sem-papéis. Ignorando os sistemas jurídicos dos países em que aportam, insistem em neles permanecer, ao arrepio das leis locais. Curiosamente, estas legiões de pessoas em situação ilegal, logo encontraram grupos de apoio nos países que invadem. São em geral católicos e viúvas do marxismo, abrigados sob a nobre designação de defensores dos Direitos Humanos. Defendem abertamente a ilegalidade e posam como humanistas ao defendê-la. Este desvairio teve sua expressão máxima no último Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre (Brasil), quando um de seus organizadores, Luiz Bassegio – ligado à Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) – pregou a migração livre no mundo todo.

Para Bassegio, as pessoas de todo o mundo poderiam migrar para onde quisessem e ter os mesmos direitos. “O neoliberalismo exige dos pobres a retirada de qualquer tipo de empecilho para o livre fluxo de capitais. Mas impõe barreiras terríveis para a migração de pessoas”. O neo-utópico esqueceu que capitais não precisam ser alimentados, vestidos, tratados medicamente, dispensam residência e não ocupam território. Os capitais, quando se reproduzem, só trazem benefícios aos países por onde passam.

O que está longe de ser o caso dos migrantes que, conscientes de que o baixo ventre é uma poderosa arma de fixação de território, se reproduzem como coelhos. Com taxas de natalidade próximas de um filho por casal, a população autóctone de cada país europeu reduz-se à metade a cada geração. Os muçulmanos sabem disso e cada árabe que reproduz de cinco a dez filhos é uma poderosa quinta-coluna infiltrada em solo europeu. Se a adaga, a alfanje e a lança se revelaram impotentes para conquistar a Europa em séculos passados, o ventre e a defesa das diversidades culturais estão se revelando armas imbatíveis para a reconquista do continente.

Além do mais, os capitais não trazem nas costas crendices religiosas obsoletas que, em nome do tal de respeito às diferenças culturais, entram em conflito direto com as legislações locais. Aceita pelas nações a proposta de Basssegio, a África toda se mudaria, do dia para a noite, para a Europa. Isso sem falar das populações mais pobres da Índia, China, Leste europeu e mesmo América Latina. A Europa toda, que ainda tenta controlar a imigração, está lutando hoje contra costumes bárbaros que os africanos, negros ou árabes, portam em suas mochilas: o crime de honra, a infibulação e ablação do clitóris, o rosto escondido por véus, a submissão da mulher ao macho. Imagine o leitor o nível de barbárie a que retornaria a Europa, se cada imigrante nela pudesse ingressar, sem passaporte nem visto de entrada, e com suas práticas criminosas a tiracolo.

Esta idéia de uma tolerância universal inclusive a práticas tidas como criminosas pelos sistemas de direito de cada país nada tem de novo. No século XVI, chamava-se irenismo, definido então como uma atitude pacificadora entre os cristãos de diversas confissões. No século XVII, Leibniz foi um de seus grandes defensores. Mas se a Europa, que nasce sob o signo da cruz, conseguiu entender-se e unir-se, qualquer entendimento é inviável com os sistemas teocráticos erigidos sob o signo do crescente.

A Europa está assediada por migrantes de todos azimutes. Mas a ameaça maior são as legiões árabes. Cidadãos oriundos de sociedades teocráticas, não conseguem conceber uma sociedade regida senão por preceitos divinos. Bons fiéis de Alá, não aceitam deixar o entulho islâmico em casa e querem impô-lo ao novo lar. Trazem nas costas práticas que as leis locais proíbe? As leis dos infiéis não importam. Só importa o Islã.

Com os recentes atentados em Londres e ameaças a Roma e demais capitais européias, criou-se uma nova mentalidade: a Europa será destruída pelo terror. Ora, terror mata, provoca barulho e sofrimentos, cria um clima de medo, mas terror não consegue destruir um Estado organizado. Bin Laden fez desmoronar duas torres em Nova York. E daí? Os Estados Unidos continuam existindo, os novaiorquinos retomaram seu trem de vida. Quanto a bin Laden, provavelmente já está morto. Mas não interesse de ninguém, nem dos americanos, nem dos árabes, em anunciar sua morte. Seu fantasma rende mais para ambos os lados que sua morte.

O que afundará a Europa será a lei do baixo ventre, a natalidade como arma. Se Marx um dia sonhou com uma Europa socialista, este morreu. O que está para realizar-se é o sonho manifesto no ódio de Marx à Europa, na primeira frase do Manifesto, a destruição de uma cultura.

Você ainda não conhece a Europa? Vá antes que seja tarde.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Sábado, 6 de Dezembro de 2008

"Memórias de Freitas do Amaral"

Por Mário Casa Nova Martins, A Voz Portalegrense, 04.12.2008

Quando terminámos a leitura do segundo volume das “memórias” de Diogo Freitas do Amaral, ficámos com pena do autor.
É que o esforço para provar a sua verticalidade ideológica leva-o a cometer todo um excesso de piruetas para mesmo assim dizer que ora é “centrista”, ora de “centro-esquerda”. Mas nunca de direita.
Já era conhecida a re-construção da sua vida política. Apoiado por Américo Thomaz, depois por Marcello Caetano, que o considerava seu discípulo, ambos traiu. “Recuperado” pelo regime saído da Revolução dos Cravos, é convidado a fundar um partido de direita, uma direita aceite pelos “revolucionários”. Acede, mas gera uma entidade política híbrida, que não era nem de esquerda, nem de direita. Aí a sua sanidade ideológica começa a dar sinais de insanidade política.
Fica-se da leitura do livro que Freitas do Amaral nunca compreendeu o seu papel em todo o processo político em que foi figura pública e que retrata neste volume, de 1976 a 1982. A sua dependência estratégica de Adelino Amaro da Costa era total. De uma enorme fragilidade emocional, Freitas do Amaral foi-se deixando manipular primeiro por Amaro da Costa e depois por Francisco Sá Carneiro.
Que não se diga que Freitas do Amaral é um político volúvel. Mas é sem dúvida um político frágil, inseguro. Medíocre. É comparável a Marcello Caetano, um Académico de alto valor, mas que foi um político fraco. Assim é Freitas do Amaral, uma “cópia” de Caetano.
Muitos exemplos se colhem da leitura do livro, acerca da incompetência política de Freitas do Amaral. Ele nunca conseguiu perceber que o CDS ao coligar-se com o PS, este tinha que “virar à esquerda”. Deixou-se enredar na tese de acidente em Camarate, com as consequências que tal facto trouxe para a não resolução do crime e punição dos responsáveis. Nos delicados momentos de decisão, nunca tomou a decisão que era a certa. A partir da morte de Amaro da Costa é visível o desnorte das suas intervenções, decisões e actos políticos. O fascínio por Sá Carneiro iria conduzir à dissolução do CDS no PPD/PSD, mas tal era também um desígnio de Amaro das Costa, “apresentado” como católico progressista e do centro-esquerda, e a bête noire da ala direitista do CDS. Mas ataca, com justiça e verdade…, Maria de Lurdes Pintasilgo, esquecendo que Amaro da Costa “comungava” muito das ideias de Pintasilgo em relação à Igreja Católica…
Freitas do Amaral considera como a sua “obra-prima” a “sua” Lei de Defesa Nacional. Sobre ela disserta abundantemente, e sente o maior consolo pelo facto de ainda hoje ela estar em vigor com um mínimo de alterações.
Mas o seu anticomunismo é visceral. Mas não é bem um anticomunismo real, porque depois irá ter no seu percurso pessoal e político as melhores relações com a extrema-esquerda do Bloco de Esquerda, e não só. É o PCP o seu maior “medo”, quiçá reminiscência de uma juventude e maioridade dentro do Estado Novo, ele sim doutrinalmente anticomunista, e onde via o PCP como o seu principal inimigo interno e o comunismo como o externo.
Em todo este período de 1976 a 1982, Mário Soares é reverenciado, quanto a António Ramalho Eanes fica-se pela “metade”, e Francisco Pinto Balsemão é zurzido. Sente-se magoado com o CDS, que não lhe pediu para não deixar a liderança. É contínua a crítica aos direitistas do partido que ajudou a fundar. De facto, já era um homem “só”. A sua estratégia fez com que perdesse amigos, como por mais de uma vez o afirma, mas também perdeu o partido.
O envio da sua fotografia para a sede do PS por parte da gente de Paulo Portas, um acto indigno!, que em futuro volume certamente Freitas do Amaral falará, significa a sua solidão política. O sucesso que foi a sua candidatura à Presidência da Republica, outro facto que no futuro trará à memória, diluiu-se com os erros políticos que veio a cometer.
Freitas do Amaral é hoje um político que não conquistou o respeito quer da direita, quer da esquerda. Se o tem do tal centro de que tanto fala, gosta e reivindica, talvez. Mas o centro em política é um lugar imaginário, logo, que viva a imaginação de Diogo Freitas do Amaral!

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Restauração



Com a devida vénia ao Terras do Carmo.

"1º de Dezembro"

Por Harms, A Cidade do Sossego, 30.11.2008

É amanhã. Hoje, a data diz pouco a muita gente e há bastantes imbecis que, apenas preocupados com o que podem gastar no centro comercial, dizem que bom era sermos espanhóis. A esses, mandou-os gentilmente para um certo local, que não vale a pena referir aqui.
O 1ºde Dezembro deve servir de referência para todos os nacionalistas, também enquanto motivo de reflexão sobre o agir, sobre o combate político. Quem fez a Restauração? Senhores que podiam ter ficado sentados, que tinham para eles, que podiam perfeitamente ter ficado quietinhos e descansados em vez de irem arranjar problemas. Exactamente o que se passa hoje. Muitos nacionalistas são-no intimamente, mas não o manifestam. Por medo de consequências a nível pessoal, profissional, por comodismo, por desânimo. As probabilidades de sucesso são poucas? Certamente, mas as dos Restauradores também não eram muitas, tal como em outras ocasiões se pôde constatar relativamente aos vencedores de certas causas dadas como perdidas. O 1ºde Dezembro serve também para isso, para nos recordar que não existem essas causas. Agora, para que tal seja possível, é necessário que cada um de nós se mexa, faça qualquer coisa. Por pouco que pareça ser, ainda que não faça fruto imediato, faz efeito, como diria o Padre António Vieira. Obviamente, tal implica esforço, paciência e disciplina. Implica que não se desista ao primeiro revés, implica que o desâmino possa ser superado. Não são necessários jovenzinhos entusiasmados por uma suástica e que seis meses depois(se tanto), já andam a ouvir hip hop. Não são necessários adultos cheios de pruridos e que bem avisam contra as tentações e infiltrações. Não são necessários ranhosos maledicentes que querem estar de bem com Deus e com o Diabo. Se os quarenta conjurados e os que vieram depois se entretivessem a dizer mal uns dos outros após darem palmadinhas nas costas, a fundar cada um sua organização, a criticar aquele por usar uma pluma a mais no chapéu, o outro por ler muito em francês, e o terceiro por saber falar espanhol, não estaríamos a celebrar esta data.
O nacionalismo, hoje, não precisa de divisionistas. Não precisa de maluquinhos ou pseudo-génios que se acham muito capazes, mas que não conhecem a virtude da humildade, não precisa de egos descomunais. Estamos aqui para servir e não para sermos servidos. E quem achar que a união é impossível demonstra uma descrença nociva aos interesses reais do país. Houve desavenças ontem? Não se podem deixar para trás? Pelo menos por algum tempo? É que, enquanto discutimos qual a maneira de salvar o barco, ele afunda-se. Enquanto eu me recuso a colaborar com o vizinho do lado por ele ser nazi e eu integralista, subiram ao barco mais alguns que não nos são nada e querem tomar conta dele para eles. E, depois, quando isso acontecer, lá iremos nós borda fora. E mesmo depois de estarmos na água continuaremos a discutir se há ou não um nacionalismo português ou se devemos ou não receber influências de fora. Os crocodilos que girarão à nossa volta é que não vão estar muito preocupados com isso.